sexta-feira, 5 de junho de 2009

Bilhete

Se tu me amas,
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho,
amada,
que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda.

Mário Quintana

domingo, 31 de maio de 2009

Rir pra não chorar...sempre!!!

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...


Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...


Preciso me encontrar
De Cartola. Composição, Candeia.

Quer ouvir o Cartola? http://www.youtube.com/watch?v=HN0_mN7fWa8

Que nem brigadeiro em festa de criança

Acho esse poema de-li-ci-o-so... que nem brigadeiro em festa de criança. Por mais que você já tenha comido mil docinhos daqueles na vida, parece que é a primeira vez. Por mais que você esteja de dieta (ou abstinência forçada - hehe), não dá pra resistir.
Então por que não repetir o que é bom na vida ?

Esse poema é de uma poetisa americana chamada Nikki Giovanni, que conheci através de um namorado cubano-americano-nascido-na-Grécia-e-que-morava-na -Argentina (ah deixa pra lá...).

Aproveitem e inspirem-se..........

If you've got the key
Then I've got the door
Let's do what we did
When we did it before

If you've got the time
I've got the way
Let's do what we did
When we did it all day

You get the glass
I've got the wine
We'll do what we did
When we did it overtime

If you've got the dough
Then I ve got the heat
We can use my oven
Til it's warm and sweet

I know I'm bold
Coming on like this
But the good things in life
Are too good to be missed

Now time is money
And money is sweet
if you're busy baby
We can do it on our feet

We can do it on the floor
We can do it on the stair
We can do it on the couch
We can do it in the air

We can do it in the grass
And in case we get an itch
I can scrath it with my left hand
Cause I'm really quite a witch

If we do it once a month
We can do it in time
If we do it once a week
We can do it in rhyme

We can do it everyday
We can do it everyway
We can do it like we did it
When we did it
That day

By Nikki Giovanni

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cerejas

"Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas."

Pablo Neruda

(Veinte poemas de amor y una canción desesperada)

O que é de fato significativo?

O filho que muitas vezes não limpa o quarto e fica vendo televisão, significa que... está em casa!

A desordem que tenho que limpar depois de uma festa, significa que... estivemos rodeados de familiares e amigos!

As roupas que estão apertadas significa que... tenho mais do que o suficiente para comer!

O trabalho que tenho em limpar a casa, significa que...tenho uma casa!

As queixas que escuto acerca do governo, significa que...tenho liberdade de expressão!

Não encontro estacionamento, significa que...tenho carro!

Os gritos das crianças, significa que...posso ouvir!

O cansaço no final do dia, significa que...posso trabalhar!

O despertador que me acorda todas as manhãs, significa que...estou vivo!

Finalmente pela quantidade de mensagens que recebo, significa que...tenho amigos pensando em mim!


Reclame

"se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo.
ótica olho vivo
agradece a preferência"


CHACAL

Erra uma vez

Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Paulo Leminski

Haja o que houver, hoje é Sexta-Feira!!




No Pão de Açucar de cada dia,

dai-nos Senhor

a poesia

de cada dia


Oswald de Andrade

terça-feira, 26 de maio de 2009

Termos da nova dramática (Parem de falar mal da rotina)

Por Elisa Lucinda

Parem de falar mal da rotina
parem com essa sina anunciada
de que tudo vai mal porque se repete.
Mentira. Bi-mentira:
não vai mal porque repete.
Parece, mas não repete
não pode repetir
É impossível!
O ser é outro
o dia é outro
a hora é outra
e ninguém é tão exato.
Nem filme.
Pensando firme
nunca ouvi ninguém falar mal de determinadas rotinas:
chuva dia azul crepúsculo primavera lua cheia céu estrelado barulho do mar
O que que há?
Parem de falar mal da rotina
beijo na boca
mão nos peitinhos
água na sede
flor no jardim
colo de mãe
namoro
vaidades de banho e batom
vaidades de terno e gravata
vaidades de jeans e camiseta
pecados paixões punhetas
livros cinemas gavetas
são nossos óbvios de estimação
e ninguém pra eles fala não
abraço pau buceta inverno
carinho sal caneta e quero
são nossas repetições sublimes
e não oprime o que é belo
e não oprime o que aquela hora chama de bom
na nossa peça
na trama
na nossa ordem dramática
nosso tempo então é quando
nossa circunstância é nossa conjugação
Então vamos à lição:
gente-sujeito
vida-predicado
eis a minha oração.
Subordinadas aditivas ou adversativas
aproximem-se!
é verão
é tesão!
O enredo
a gente sempre todo dia tece
o destino aí acontece:
o bem e o mal
tudo depende de mim
sujeito determinado da oração principal.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Teu Riso

Tira-me o pão, se quiseres,
Tira-me o ar, mas não
Me tires o teu riso

Não me tires a rosa,
A lanca que desfolhas,
A água que de súbito
Brota da tua alegria,
A repentina onda
De prata que em ti nasce

A minha luta e dura e regresso
Com os olhos cansados
As vezes por ver
Que a terra não muda,
Mas ao entrar teu riso
Sobe ao céu a procurar-me
E abre todos
Os portos da vida

Meu amor, nos momentos
Mais escuros solta
O teu riso e se de subito
Vires que o meu sangue mancha
As pedras da rua
Ri, porque teu riso
Será para as minhas mãos
Como uma espada fresca

A beira do mar, no outono,
Teu riso deve erguer
Sua cascata de espuma,
E na primavera, amor,
Quero teu riso como
A flor que esperava,
A flor, a rosa
Da minha pátria sonora

Ri-te da noite,
Do dia, da lua,
Ri-te das ruas
Tortas da ilha,
Ri-te deste grosseiro
Rapaz que te ama

Mas quando abro
Os olhos e os fecho
Quando meus passos vão,
Quando voltam meus passos
Nega-me o pão, o ar
A luz, a primavera
Mas nunca o teu riso
Porque então morreria.

Pablo Neruda

domingo, 24 de maio de 2009

O que é Sexta-feira de Poesia?

Todo mundo tem amigo espalhado por tudo que é canto. Amigo de perto ou de longe, de infância ou mais recente

Então para ajudar a matar a saudade, a gente teve uma ideia: Que tal uma Sexta-feira de Poesia?

Funciona mais ou menos assim: Toda sexta (mas pode ser sábado ou quinta, quando der vontade), a gente manda poesias uns para os outros, just because é sexta-feira, just because poesia dá alento à vida, just because a gente aproveita para ficar mais pertinho uns dos outros nem que seja virtualmente…

Começou comigo, a Carol, a Fê, a Cinthia, o J e a Ju… Aí chegou a Joana, a Raquel, a Déia, a Carla, a outra Ju। Amigo de amigo é sempre amigo e bem-vindo। Começou por email, mas a gente resolveu criar um blog.
Vale qualquer coisa que você achar que é poesia: um poema, uma letra de música, uma foto, um vídeo, um parágrafo de um livro, uma frase de pára-choque caminhão ou algo que você inventou… E em qualquer idioma.

Qualquer coisa que ajude a gente a ver que na vida existe beleza nas coisas mais simples e justamente naquelas que a gente nem sempre da muita bola.

Acho que você vai gostar!

Então pra começar, a gente deseja que você…

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu. (NOSSO!)

Desejo, de Carlos Drummond de Andrade